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01/02/2007

MENINO DE RUA, SEM FUTURO.



Saí de casa, por não suportar tantas carências,
por não entender as causas das agressões,
e não suportar tantas amarguras e ausências,
e ficar perdido no meio de tantas desilusões
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
Fiz do banco de praça a minha cama,
debaixo de pontes,da insegurança me protejo,
das chuvas, dos ventos, do frio,da lama
vendendo drogas, cheirando cola, me vejo.
Mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
As escolas usam policiais como proteção,
é esse o seu maior marketing para os pais.
Sujo, maltrapilho, sou sinônimo de agressão
deixei de ser criança, sou ameaça pros casais.
mas dizem que do país eu represento o porvir.
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
Deitado, num banco de praça admiro o céu,
vejo as estrelas, a lua e sinto tristeza,
não faço parte da sociedade, vivo ao léu,
para muitos sou uma aberração da natureza.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
Nos sinais de trânsito eu limpo vidros de carro,
percebo, que muitos procuram se proteger de mim,
pago um preço muito alto pra viver no desamparo,
mas continuo aguardando uma chance, mesmo assim.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
Vendo drogas, fumo um baseado, cheiro cola,
alimento nas esquinas o vício do abastado,
os traficantes me protegem, essa é minha escola,
vivo sem instrução, sem calor humano, abandonado.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
Eu não entendo os suspiros dos casais de namorados,
quando contemplam a lua e as estrelas tão distantes,
presencio sussurros, suspiros,abraços prolongados,
sofro, me sinto só, são momentos estafantes.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
Já estive na Febem, para receber maus-tratos,
repartindo com outros a mesma dor e desespero,
lá sem amor, sem carinho, somos apenas ratos,
aquilo é a expressão cruel da falta de desvelo.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
Se alguém me adotasse, me desse um lar, um abrigo,
me desse o direito de receber do amor as migalhas,
eu ficaria feliz, por não ser mais para muitos um perigo,
e não alimentaria o sentimento de vingança dos canalhas.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
Não é por falta de recursos, que assim me deixam ,
fazem viagens inúteis e compram avião de luxo,
fazem negociatas, compram votos, nem se queixam,
se dizem proletários, e que conhecem da miséria o fluxo.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
Num futuro distante, eu espero que isso mude,
preciso ser integrado, receber amor, carinho,
mas sobretudo ter paz, esperança, não ser rude,
afastar mágoas e sofrimentos, do meu caminho.
Poderei, então, do país representar o porvir,
e não mais viver perdido, sem saber pra onde ir.

1 comentário:

Unknown disse...

Estou encantada com todos estes blogs lindissimos conseguiste bater o record de blogs da mary,rs,rs,rs.
H parabéns e depois estão tb maravilhosamente decorados.
Amiga
beijos do tamanho do mundo pois com estes blogs o teu coração só pode ser tb ele muito grande.