
Contam que minha mãe me concebeu
Quando eu era informe diz que se arrependeu
De um erro que cometeu...
Até parecia que o culpado fui eu
Falam que ela criou asa
E um dia fugiu de casa
Saiu pelo mundo perambulando
E acabou (se) engravidando
Não tinha responsabilidade
Não me gerou com seriedade
De quem é meu pai não sei a identidade
Dizem que ela queria me abortar por maldade
Assim que nasci...
Os primeiros anos não sei como vivi
Numa invasão eu cresci
Mas preferi ir pra rua e dormir no frio
Nunca me matriculei numa escola
Vivo furtando e pedindo esmola
Se estou triste ou alegre me embriago no cheiro da cola
E o mundo é minha verdadeira escola
Sou menino de doze anos
Meu crescimento está demorando
Também quase não estou me alimentando
E até dos mendigos vivo apanhando
Quando vejo a autoridade
Só penso em maldade
Oh que infelicidade
É não ser gente de verdade
Quantos meninos vão pra escola
Nas folgas vão pra piscina ou jogar bola
Comem bem e andam de carro novo
Eu ando descalço sofrendo como cachorro
Quem dera alguém me desse um sapato novo
Eu fosse respeitado pelo povo
Mas minha esperança já está perdida
Mesmo que eu mude de vida
Ninguém vai acreditar
O povo não crê que menino de rua possa se regenerar
Se eu pedir lugar pra morar...
Duvido que alguém me dará
Se eu procurar emprego falam que vagabundo não entra lá
Se eu procurar escola a diretora não me matriculará
Antes vai dizer que os meninos vão se contaminar...
Porque meninos de rua são cheio de defeitos, pois só vivem a vadiar...
Então minha gente vou prosseguindo meu destino
Acho que não vou longe... Sinto me fraco e vivo tossindo,
Não tendo alternativa continuarei roubando e pedindo
Uns correm de mim outros ao ver-me ficam rindo
Que esperança posso ter,
Se ninguém quer me compreender...
Talvez o destino do menino de rua seja matar ou morrer
Então se menino de rua não é gente eu prefiro desaparecer..
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